Já vi e ouvi muita confusão sobre do que se trata a fotografia documental.
Já vi leigos e amadores confundindo fotografia documental com foto para documentos e até fotógrafos profissionais confundindo fotografia documental com street photo.
As fotos de rua são flagrantes de momentos de uma cidade, que não estão
necessariamente seguindo um roteiro ou contando uma história linear.
São imagens que podem contar uma história em um único instante. Podemos
contar uma história através da street photo, com certeza sim, e aí ela começa a tomar contornos de fotografia documental. Trabalho
Documental sobre os Hospitais Veterinários Publicos da Cidade de São
Paulo – no momento da foto escolhi uma velocidade baixa para captar a
movimentação das mãos e braços dos cirurgiões, na pós produção optei
pela foto em P&B para aliviar o sangue do campo cirurgico. foto:
Erico Mabellini
Também já vi alguns fotógrafos confundirem a fotografia documental
com a fotografia pericial. A fotografia técnica pericial não deixa de
seguir uma sequência de fatos, mas também não é o que se entende por
fotografia documental, até porque possui um nome próprio. Exemplo: se o
perito fotógrafo estiver realizando seu trabalho e fotografando os
detalhes técnicos de um crime estas fotos serão periciais. Mas se esse
mesmo fotógrafo conseguir tempo para realizar um trabalho autoral sobre
os diversos crimes que acontecem em uma metrópole ou até mesmo contar
por meio de imagens os crimes ocorridos em uma cidade, aí podemos falar
de fotografia documental. (ver o trabalho do fotógrafo americano Weegee –
Arthur Fellig)
Uma pauta de fotojornalismo
também não é fotografia documental. Nesse caso o fotógrafo irá até o
local da pauta para a qual foi enviado e poderá ter ou não conhecimentos
maiores sobre o tema. Sua obrigação profissional será fotografar aquilo
que consta da pauta utilizando seus conhecimentos técnicos e
criatividade – agilidade é o principal requisito. Já para uma foto
reportagem bem realizada, conhecimento sobre o assunto e tempo para
realizar o trabalho são requisitos indispensáveis, e aí esbarramos na
fotografia documental.
A fotografia documental, porém, não está algemada ao fotojornalismo,
ela poderá ser um trabalho de diversas áreas da fotografia, como a
fotografia de momentos de uma família, a fotografia de viagem, a
fotografia de determinada influência arquitetônica de uma cidade ou até
mesmo um trabalho fotográfico sobre determinado arquiteto, artista ou
qualquer outro grupo profissional. Trabalho
Documental sobre os Hospitais Veterinários Publicos da Cidade de São
Paulo – momento de carinho e cumplicidade na sala de espera. foto: Erico
Mabellini
A fotografia etnográfica, também poderá ter características documentais, contando a história de um povo.
A fotografia documental é normalmente associada à noção de documento,
ou seja, a prova de que algo realmente aconteceu. Mas nada é estático e
a fotografia que faz parte de nossas vidas também evoluiu em paralelo e
continua a evoluir, passando por diversas formas de leituras, de
escrita, de formatos e interpretações. Podemos hoje inclusive falar em
Fotografia Documental Imaginária, que não seria um registro de alguns
fatos, mas de uma série de sentimentos do fotógrafo sobre determinado
tema. **
Aproveito este artigo para convidar aos amigos leitores a participarem
do CONAF 2016 – Congresso Nacional de Fotografia – de 04 a 08 de abril –
as palestras serão todas online e gratuitas. Estarei presente no dia
06/04 às 16h00 com a palestra “Fotografia documental: a força da
informação e a influência das imagens na história”. Visite o site e
conheça todos os palestrantes: http://conaf.clicandoeandando.com/
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